Tadeu Palácio tentou, mas não conseguiu. Sua última cartada (leia-se Clodomir Paz) foi a saída que o prefeito achou para não perder totalmente o controle da sucessão. Primeiro, tentou com Canindé Barros. Mas encontrou rejeição junto ao governador e vários pedetistas. Agora, com Clodomir, um dos seus preferidos, a coisa pode funcionar. Mas, digamos, pela metade.
O raciocínio é o seguinte: com Canindé, Tadeu não ganha nada. Com Clodomir, ele ganha a vice. Ou seja, Paz vai insistir que é candidato, mas vai acabar concorrendo a vice-prefeito numa aliança avalizada pelo governador Jackson Lago, que nos bastidores já dá as cartas no processo com tranquilidade. A essa altura, Palácio já percebeu que não poderá medir forças com o governo e lançar um nome tirado do bolso. O buraco é mais amplo e deve comportar todas as tendências pedetistas.
Mas quem seria o candidato?
Vejamos. Recentemente, o deputado Flávio Dino foi lançado como o representante da esquerda. Assinaram um manifesto em seu favor o PT, PCB e PSB. Aos olhos do governo, esses três já não merecem tanta atenção, já que resolveram tocar o barco sozinhos. Então, na hora de unir, a esquerda já está descartada. Sobra quem? PRB, PPS, PDT, PSDB e os nanicos. Tira o PRB e PPS, que não são dotados dessa grandiosidade toda, restam PSDB e PDT. Eis a chapa. E, com João Castelo com 30% das intenções de voto, alguém acredita que o governador vai preferir Clodomir Paz, bem mais atrás?
Clodomir segue a tendência do prefeito, que desde o início tratou de escantear o governador do processo de sucessão. Portanto, para Jackson ele não seria ideal. Um dos principais motivos, claro: ele não tem voto. “Ah! mas se o governador pedir, ele ganha”. Ok. Mas, se o governador pedir, ele corre o risco de perder apóio dos tucanos (de Castelo, que tem 30% dos votos na capital, dos quatro deputados federais, da presidência da Assembléia Legislativa e dos oito deputados estaduais), que preferiram o ex-governador José Reinaldo, mas já desistiram da idéia.
Para facilitar a negociação, o acordo entre o PDT e PSDB poderá ser, repito, em parte. Ou seja, daqui a dois anos, Castelo se lança ao Senado ou ao governo (de novo!). E Clodomir e o PDT retornam ao poder. Tadeu com a metade do mandato, mas com folêgo para nova investida política.
Especulações de lado, faremos nossas apostas…