Deputado acusa Sarney de comprar votos em Macapá

novembro 11, 2008

O deputado federal Ribamar Alves (PSB-MA) acusa o senador José Sarney de comprar votos para eleger seu prefeito e Macapá. Em discurso na Câmara nasemana passada, ele diz que o cacique usou “a coação para liderar um grupo de políticos, juízes e empresários, que imploram sua proteção para escapar de julgamentos e penas da Justiça e do Fisco”, em favor de seu candidato. E cita que, a mando de Sarney, o último debate entre candidatos teve o sinal interferido por uma rádio do estado.

Confira trecho do discurso:

Não fosse o derrame de dinheiro público nos últimos 15 dias de campanha, o candidato de Sarney não seria vitorioso. Roberto Góes ganhou pelo dinheiro, pelos favores, pelo medo ou pela utilização de atos criminosos.

Existem constatações marcantes da utilização de atos criminosos, como, por exemplo, a interferência maléfica no debate da TV Amapá, a única emissora de TV livre do jugo de Sarney e sua tropa.

Como não tinha como cancelar o evento, o Governador Waldez, obedecendo ordens de Sarney, determinou que a banda de propagação das ondas da Rádio Difusora, de propriedade do Governo do Estado, fosse elevada até interferir no áudio da afiliada da Rede Globo nos momentos das falas de Camilo. Além disso, por duas vezes cortaram o fornecimento de energia elétrica da região onde está localizada a emissora.

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Senador quer acabar com terno no Congresso

novembro 11, 2008

Lilan Tahan, do Correio Braziliense

As altas temperaturas de Brasília este ano provaram ser um fenômeno democrático. As tardes tórridas da capital da República, como não se via desde 1960, não pouparam a compostura sequer de suas excelências deputados e senadores, que mesmo protegidos com o frescor do ar-condicionado suaram a camisa na seca candanga e sentiram o desconforto de morar a mais de mil quilômetros da beirada de um oceano. Estimulado pelo calor , um senador da República levantou o debate. Terno: usar ou não usar. Acostumado à umidade do estado que representa, o Espírito Santo, Gerson Camata (PMDB) está empenhado em acabar com a obrigatoriedade do traje protocolar no Congresso Nacional. Amanhã planeja suscitar a discussão em reunião da Mesa Diretora no Senado.

Camata partirá de dois argumentos para derrubar o uniforme entre os políticos. Um de apelo prático: “Qual o sentido da obrigatoriedade do terno num país onde o sol é de rachar?” O outro com conteúdo com contornos técnicos: “Vai ser mais barato manter o Congresso a temperaturas dois, três pontos mais altas”. A idéia do senador é conseguir uma autorização da Mesa Diretora para experimentar a novidade durante um mês. “É um teste para os cofres públicos e para a saúde dos parlamentares”, defende o senador, que só dá o nó na gravata minutos antes de entrar no plenário, onde a indumentária é exigida.

Nem só os efeitos nocivos do calor, encorajaram Camata a levantar a bandeira do casual day de segunda a sexta no Congresso Nacional. Certa vez, o senador teve de emprestar o paletó e a gravata para que o prefeito de Iconha, cidade a 88km de Vitória, cruzasse a linha que separa o Senado da Câmara dos Deputados. “Depois pedi a um assessor para resgatar a minha roupa. Esse tipo de restrição não é nem um pouco democrática”, condena Camata, com saudade dos tempos em que andava de bota e calça jeans, quando era governador do Espírito Santo na década de 1980.

Mas ao que tudo indica, o peemedebista pode ter dificuldades para emplacar o traje esporte fino no Congresso. A começar pelo discurso conservador do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), quando o assunto é alterar o status quo da moda no Congresso Nacional. “Não sei não, mas acho que a curto prazo é muito difícil viabilizar essa mudança. Até entendo as preocupações ambientes, de economia, de saúde do Camata, mas transformar os hábitos das pessoas é coisa muito difícil, até porque essas pessoas estão acostumadas e compenetradas a um simbolismo de hierarquias e valores, que passa pela roupa”, considera o presidente do Congresso.

Com ele, está o deputado Clodovil Hernandes (PTC-SP): “Acho o fim, horrível mesmo, fico pensando que se começarem a avacalhar as coisas desse jeito, onde vamos parar?”, indigna-se o deputado-estilista. E se não houver outro jeito de contornar as tardes quentes da capital na próxima temporada de calor, o consultor de moda e superintendente da VR e da Calvin Klein Leonardo Carvalho dá um conselho aos políticos: “Os ternos de lã fria em alta gramatura são tão leves, mas tão leves que dá a impressão de se estar andando sem roupa alguma”


Partidos nanicos torram dinheiro público

novembro 11, 2008

Mirela D´Elia, do Correio Braziliense

Os recursos do fundo partidário — constituído, em grande parte, por dinheiro público — não estão sendo gastos da forma correta por todos os partidos, como manda a lei. A prática é verificada entre os “nanicos”, que não conseguiram comprovar como estão torrando a verba e agora amargam a perda do fundo. Levantamento feito pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a pedido do Correio revela que seis legendas não recebem as cotas mensais. Mesmo sem problemas, duas siglas maiores, PTB e PR, também pagam o pato: tiveram um corte no repasse da bolada e deixaram de abocanhar parte dos R$ 194,3 milhões distribuídos até outubro. O corte no dinheiro é feito quando as contas de uma agremiação política são reprovadas pela Justiça Eleitoral ou quando ela deixa de apresentá-las. A Coordenadoria de Exames de Contas Eleitorais e Partidárias do TSE (Coepa) confirma: a maior causa de rejeição de contas é a falha em comprovar que o dinheiro foi aplicado de forma legal. O órgão é responsável por passar um pente-fino na contabilidade das siglas todos os anos.

A punição dura um ano, mas algumas legendas são reincidentes. O PSTU está com o repasse suspenso desde dezembro de 2007 por problemas em 2003, 2004 e 2006. Outros partidos penalizados são PTN, PSL, PSDC, PTdoB e PCO. Juntos, os seis deixaram de receber R$ 256,6 mil no mês passado. PTB e PR também estão botando a mão em menos dinheiro por terem herdado siglas que não fecharam as contas. O PTB, que absorveu PSD e PAN, teve R$ 17,5 mil a menos. E o PR, fruto da fusão entre Prona e PL, deixou de ganhar R$ 86,9 mil no mês passado. O Prona, por exemplo, não conseguiu comprovar a destinação de R$46,1 mil de recursos do fundo em 2004. Em compensação, grandes legendas, que ganharam mais de R$ 1 milhão cada em outubro, conseguiram ainda mais com a repartição do dinheiro que seria destinado aos nanicos: PT, PMDB e PSDB receberam R$ 45 mil e o DEM, R$ 35 mil.

O PT já acumulou mais de R$ 20 milhões este ano. O PMDB recebeu R$ 19,6 milhões e o PSDB, R$ 18,6 milhões até agora.  De acordo com o titular da Coepa, Wladimir Caetano, os nanicos são vítimas da própria falta de infra-estrutura. “Quem tem mais dinheiro consegue ter mais mecanismos de controle, mas isso não isenta os demais partidos de suas responsabilidades”, completou. Argumentos apresentados por algumas siglas confirmam o raciocínio. “A equipe que faz a prestação de contas é pequena. Todas as atividades são realizadas por militantes. Isso tudo por não termos recursos para montar grandes aparatos como a maioria dos partidos”, justificou o PSTU, que admitiu “problemas” como “falta de controle de documentos” e “desconhecimento de algumas normas”. Mas ressaltou que está recorrendo.

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Charge do dia – Kleber

novembro 7, 2008

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Lula está nas mãos de Sarney, pra variar

novembro 7, 2008

Daniel Pereira, do Correio Braziliense

Ex-presidente da República, José Sarney (PMDB-AP) será o maestro das negociações sobre a eleição do próximo presidente do Senado. Segundo auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o senador terá peso decisivo na escolha do sucessor de Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). Se quiser assumir o comando da Casa, terá o apoio de Lula, apesar de o presidente preferir um petista no posto, com um peemedebista à frente da Câmara. Caso Sarney não mostre interesse pela vaga, o Palácio do Planalto tenderá a seguir suas recomendações.

Uma das possibilidades é aceitar a indicação de outro peemedebista, como a senadora Roseana Sarney, filha do ex-presidente da República. Ou, ainda, de um petista, mas não Tião Viana (PT-AC). Preferido de Lula, Tião enfrenta resistências da bancada do PMDB. Primeiro, por ter garantido a tramitação de processos de cassação de mandato do então presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo, por supostamente trabalhar a fim de derrubar a atual diretoria administrativa do Senado, que seria próxima tanto de Sarney como de Renan.

Ontem, Lula e Sarney se reuniram no Planalto. Só os dois. “Essa conversa está muito acima de mim”, brincou um articulador político do governo. Em jantar com líderes do PMDB no mês passado, Lula defendeu a eleição de um petista no Senado e de um peemedebista na Câmara, em nome do “equilíbrio de poder” no Congresso. Ressaltou, no entanto, que deixaria a tese de lado caso o sucessor de Garibaldi fosse Sarney, “um político acima dos partidos”. Parlamentares próximos ao senador contam que ele pensa em reassumir o comando do Senado. Mas, como de costume, espera ser aclamado para o posto.

Pragmáticos, aliados dele recomendam que se contente com o apoio da maioria. Para um dirigente do PMDB, a grande dúvida de Sarney é com relação aos desdobramentos de eventual candidatura e vitória na eleição. O senador avaliaria se a nova função, em vez de blindá-lo e resultar em mais prestígio, vai devolvê-lo aos holofotes da imprensa e da Polícia Federal. Sarney não gostaria de voltar a ser “vidraça”, afirmou o dirigente. Muito menos quer ver seus filhos em tal condição, acrescentou.

Leia mais em Sarney terá peso decisivo na escolha do próximo presidente do Senado


Foto do dia – Durmam com essa

novembro 6, 2008
Lula Marques/Folha)

Deputado Professor Sétimo (PMDB-MA) em momento único no plenário da Câmara (Foto: Lula Marques/Folha)


“Chico Buarque é um chato”, diz Lobão

novembro 6, 2008

De Luciano Trigo no G1:

“Eu acho o Chico Buarque um horror, um equívoco, um chato, um parnasiano. O Olavo Bilac é muito mais moderno que ele. Ele faz uma música anêmica, sem energia, sem vivacidade, parece que precisa tomar soro. A Bossa Nova é a mesma coisa, uma música easy listening, que toca em loja de departamento quando a gente vai comprar uma meia.”

Esta é apenas uma pequena amostra do que foi a participação de Lobão (o cantor) na mesa de abertura do Fórum das Letras de Ouro Preto (Flop). Acelerados, ele e Nelson Motta mal pararam para respirar: foram duas horas de uma conversa intensa, à qual não faltaram declarações polêmicas, mesmo da parte do geralmente conciliador Nelsinho, que nessa hora concordou:

“Tirando Tom, Vinicius e João Gilberto, tudo que veio depois na Bossa Nova foi diluição. A gente sabe que Roberto Menescal, Carlos Lyra etc são músicos de segundo time.”

Lobão contou então que, quando João Gilberto gravou sua música “Me chama”, pediram uma declaração sua:

“Todo mundo daria a ***** para ter uma música gravada pelo João Gilberto, mas eu respondi: ‘Quero que ele se ****, acho ele um chato de galocha’. Depois eu soube que ele ficou ofendidíssimo, mas odeio essa sacralização da Bossa Nova, acho isso uma *****, uma coisa jeca, sem tesão.”