A “futebolização” da política maranhense

No Maranhão, tudo acaba em rivalidade. E o discurso político prevalece. Por mais que o maranhense seja um povo sofrido, com dificuldades mil, um desenvolvimento completamente pífio nas últimas décadas e, para algumas parte do sul, ‘alienado’, é impressionante como tudo acaba em politica (ou politicagem).

No Congresso Nacional, usa-se a expressão acabar em pizza, que virou moda depois que a secretária do ex-presidente Fernando Collor falou em uma CPI que o alagoano e um grupo de empresários foram comemorar a “Operação Paraguai” (um falso empréstimo de R$ 5 milhões que o governo disse que tinha recebido e acabou descoberto) em uma pizzaria. Aqui, a expressão mais adequada é: acabar em política.

É como no futebol. Se você é flamengo, fala mal do Vaco. Se é Vasco, fala mal do Flamengo. Ou melhor: se você é Sarney, fala mal do Jackson. Se é Jackson, fala mal do Sarney. Não há o benefício da dúvida. Ou seja, um é péssimo porque o outro é bom – um está condicionado ao outro, com diferenças apenas de ponto de vista.

Por isso, posso concluir que a política maranhense tem surtos de ficção. Numa novela, dificilmente você verá um vilão que no final vira mocinho. O contrário também é raro. Por quê? Pelo simples motivos que ficção traz personalidades montadas, retilínias, produzidas para serem encaixadas em uma fantasia e despertar sentimentos.

Assim são os personagens políticos do Maranhão em dados momentos. São deuses ou demônios, dependendo do ponto de vista. O que é errado. Ninguém é de todo ruim. E nem é bom por completo. Na política, sobretudo, já que um agente público quase nunca toma decisões sozinho. E por vezes faz o que não quer.

Nos últimos tempos escutei muitos discursos. Tanto de apoiadores do Sarney quanto de Jackson. São opiniões completamente distintas. Mas parecidas em sua essência ou na panfletarização dos argumentos. Ou seja, quando escuto críticas desaforadas contra o senador José Sarney, o imagino em um laboratório esfregando uma mão na outra após descobrir a próxima maldade que irá produzir para a humanidade. Quando me falam mal do Jackson, imagino a mesma cena.

Bobagem, claro.

O fato é que, entre boa parte dos maranhenses, tudo acaba em política porque as pessoas agem com emoção, numa, repito, “futebolização” das preferências políticas. Briga política no Maranhão é como bate-boca de torcedores. E, claro, o maranhense é fiel a políticos como ao time do coração.

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5 Responses to A “futebolização” da política maranhense

  1. Santa e maldita dúvidA/Serás sempre luvada/por me fazer pensar /Quem é mais justo?Aquele que combate a injustiça?
    No caso de Sarney e Jackson um empate de conduta…no entanto Sarney gannha no tempo de partidas ganhas …sem o benefício da dúvida.

  2. luis lima disse:

    Taí, gostei do conteúdo desse blog. parece que apareceu alguém lúcido o suficiente, que acredita no ditado bíblico: Maldito é o Homem que confia em outro Homem. Temos que ter em mente que o Estado do Maranhão somos nós, e que tudo o que acontece tem o nosso aval, via eleições. temos que orar por nossos governantes, para que também a máxima; Feliz é a Nação, cujo Deus é o Senhor, possa ser efetiva nesse estado. Homens falham, erram, se equivocam, cometem tanto boas quanto péssimas ações;Deus nunca erra, pois é justo. enquanto não vivermos uma mudança de paradigmas e deixarmos as coisas acontecerem pela emoção exarcebada, seremos vítimas de nós mesmos; e enquanto fizermos dessa politicagem, objeto de idolatria, não haverá prosperidade. Taí, gostei do conteúdo desse blog.Parabéns!

  3. Diegow disse:

    Olha achei excelente a análise feita por vc caro Pedro Freire, vc soube falar tudo em poucas e boas palavras. parabéns!!! gostei mt mesmo.

  4. Ze carlos disse:

    A imprensa e os jornalista cabem bem neste título.
    O Jornalismo e os jornalistas do Maranhão não tem liberdade de imprensa
    Uns são pagos para falar bem de um político, se não rezar na cartilha será sacado fora.
    vejamos: os jornalista do grupo sarney não tem liberdade de escrever o que querem pois são vigiados de perto liberdade abafada.
    o do grupo do Ze Reinaldo não foge à regra não tem liberdade de se expressar o mesmo acontece com a imprensa paga do Jackson.
    Na época dos Militares acho, tinha mais liberdade de imprensa.
    enfim, todos os jornalista do maranhão não tem liberdade de imprensa voltamos ao militarismo, onde tudo que era publicado passava por uma triagem.
    Pobres Jornalistas do maranhão, são escravos desta politicagem rasteira, suja que assola o Maranhão, salve os jornalistas esportivos que são livres para se expressarem.

  5. ANTONIO disse:

    Emboa a expressão “acabar em pizza” esteja entre as aspas, melhor mesmo seria dizer acabar em politicagem, para não desconstruir mais ainda o sentido clássico e plástico do termo Polítco.

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